16 dezembro 2017

poema de A. M. Pires Cabral

DEFEITO DE FABRICO

Quando nasci, trazia de origem
um farol que despejava luz a jorros
sobre o que quer que fosse,
mormente sobre as dobras
pérfidas da noite.

Mas, por estranho que pareça,
também os faróis estão sujeitos
às leis da erosão,
e o meu farol deliu-se. Hoje não é
mais do que um triste farolim de bicicleta
que apenas me alumia dois palmos de noite.

Amanhã estará reduzido
a uma simples lanterna de bolso
com que mal poderei reconhecer
o lugar onde estou.

Até que um dia será, está bom de ver,
o mais fiável cúmplice da noite –
– da noite que devia dissipar,
e não fundir-se nela.
Defeito de fabrico.
Mas a garantia caducou e o fabricante
nega-se a ressarcir-me do escuro.

acompanha-nos!



Beethoven Moonlight Sonata (Sonata al chiaro di luna)

14 dezembro 2017

como manter a calma!?

mantendo o nível das expectactivas razoável, assim:

- se supusermos que a maioria das coisas normalmente acaba por se revelar um tanto decepcionante (mas isso não faz mal);

- que a mudança ocorre vagarosamente (mas a vida é longa);

- que a maior parte das pessoas não é muito boa nem muito má (incluíndo nós mesmos);

- que a humanidade tem enfrentado crise após crise (e, no entanto, lá se vai arranjando);
(in pág 53 de Alain de Botton, as noticícias, um manual de utilização)


E para os camaradas benfiiquistas: estamos juntos (poesia é bom para a alma- link)!!!


11 dezembro 2017

estão a maltratar o futebol português



O que estamos a falar é de um sistema muito profissionalmente montado pelos próprios clubes, que se traduz na produção de insultos, no lançamento de cortinas de fumo e em ataques bem planeado.


Não deixa de ser tristemente irónico que no preciso momento em que Portugal é campeão europeu de futebol, Cristiano Ronaldo colecciona Bolas de Ouro e os futebolistas e treinadores portugueses acumulam por esse mundo fora um prestígio que nunca tiveram até hoje, o ambiente do futebol em Portugal esteja ao nível mais reles de que há memória. Os maiores clubes bateram no fundo, e todas as semanas assistimos a cenas capazes de fazer corar as vendedoras do mercado do Bolhão. Nunca se viu isto em lugar algum do mundo civilizado, e do incivilizado acho que também não – temos as três instituições do país com maior capacidade para mobilizar pessoas e paixões totalmente alheadas das suas responsabilidades públicas; completamente envolvidas em polémicas rascas, acusações descabeladas e ofensas gratuitas; e que por sua vez são constantemente alimentadas por presidentes, por comentadores e por essa cada vez mais patética figura que é o director de comunicação.

O que é trágico nisto – e verdadeiramente preocupante – é que não estamos a falar apenas de indivíduos mais ou menos caricatos, que passeiam o seu admirável talento para a desconversa e para a desonestidade intelectual pelos canais de televisão. Não. O que estamos a falar é de um sistema muito profissionalmente montado pelos próprios clubes, que se traduz na produção de insultos, no lançamento de cortinas de fumo e em ataques bem planeados, que envolvem toda a cúpula do futebol de Benfica, Porto e Sporting. Pedro Guerra – só para referir o exemplo mais vergonhoso, oriundo do meu próprio clube – poderia ser apenas uma figura pitoresca e de mau gosto. Mas não: ele é simultaneamente alto funcionário do Benfica e a suprema pérola que o sistema produziu, tetracampeão do mais puro e revoltante fanatismo.
Infelizmente, apesar dos três jornais desportivos diários, dos infinitos programas de desporto e das generosas páginas dedicadas ao futebol em jornais de referência, faltam boas explicações para tudo isto. Precisamos de jornalistas capazes de nos explicar como e porquê chegámos aqui, a um tempo em que o jogo jogado se tornou uma quase insignificância, e jogadores e treinadores têm cada vez menos protagonismo, enquanto presidentes, árbitros e comentadores dominam uma fatia cada vez mais alargada da atenção mediática. Nada disto é inocente – é como se a queda sucessiva da qualidade das equipas portuguesas e do futebol que praticam tivesse de ser sobrecompensada com o protagonismo mais descabelado dos dirigentes e o crescimento das conspirações.


Isto polui todo o ambiente em que vivemos, afectando a qualidade do nosso espaço público, com milhões de portugueses inoculados com uma forma totalmente infecciosa de gerir a dissensão e administrar os conflitos. O futebol envenena tudo, a começar pela minha própria profissão. Ver jornalistas que em tempos respeitei, como Francisco J. Marques ou Nuno Saraiva, a desempenhar hoje os papéis de caceteiros dos seus clubes, transformados subitamente em serviçais do patrão e com linguagem de peixeira é uma coisa que dá a volta à tripa a quem valoriza a integridade pessoal e coloca a reputação profissional acima das paixões futebolísticas.  Eu sei que toda esta gritaria ocupa tempo de antena, vende jornais e dá audiências televisivas. Mas estou profundamente convencido que, aos poucos, começa a afastar as pessoas decentes do futebol. Está a acontecer comigo. Está com certeza a acontecer a muitos mais.


O que me parece estranho é que haja cada vez mais programas destes de comentários políticos a aparecer e, portanto, é sinal que têm sucesso... mas quem vê aquelas tretas!?

SOLO BASS





Do Chopin a Łukasz Adamczyk... do piano do Chopin a este meu, fazem-se coisas fixes!

A vida é um lugar maravilhoso!

“Imaginemos a extraordinária habilidade
de um malabarista,
que não pode interromper o processo
de manter todas as bolas no ar
sem deixar que alguma caia,
e temos uma representação teatral
 da vulnerabilidade e do risco da vida.
 Pensemos [...] que está já a imaginar
uma actuação ainda melhor” (p. 57)
 

09 dezembro 2017

Salvador Sobral já tem um novo coração: a melhor prenda de natal!!!

Salvador Sobral recebeu, esta sexta-feira, um transplante de coração, após ter sido encontrado um órgão compatível.

o minuto certo

Filipa Leal

Dizia-te do minuto certo. Do minuto certo do amor. Dizia-te que queria olhar para os teus olhos e ter a certeza que pensavas em mim. Que me pensavas por dentro. Que era eu a tua fantasia, o teu banco de trás. O teu desconforto de calças caídas, de pernas caídas, da rua que não estava fechada porque nenhuma rua se fecha para o amor.
Na cidade do meu sono, havia palmeiras onde alguns repetiam putas e charros e atiravam pedras ao rio. Mas eu nunca gostei de clichés. Nem de quartos de hotel. Nem de camas que não conheço. Eu nunca abri as pernas, entendes? Nunca abri as pernas no liceu. Nunca abri as pernas aos dezassete anos, de cigarro na mão. Eu nunca me comovi com o sonho de ser tua. Eu nunca quis que ficasses, entendes? Que viesses. Queria que quisesses de mim esse minuto certo, essa rua húmida de ser norte. Queria que me quisesses certa, exacta, como o minuto onde me pudesses encontrar. Eu nunca quis de ti uma continuidade, mas um alívio, uma noção de ser gente, entendes? Eu nunca quis de ti o sonho do sono ou da viagem. Nunca te pedi o pequeno-almoço, a ternura. Nunca te disse que me abraçasses por trás, que adormecesses. Eu nunca quis que me desses casa e filhos e lógica. Que me convidasses para dançar. Queria os teus olhos a fecharem-se comigo por dentro e tu por dentro de mim.

08 dezembro 2017

façamos com que os desejos se tornem realidade:

A Época natalícia aproxima-se, assim como o Ano 2018.

Por isso, desejo certezas de que nos tornaremos melhores como Seres Humanos.

Desejo que este Natal os olhares se encham de brilho,

Que os sorrisos se tornem afáveis,

Que haja mais paciência para escutar,

Que os apertos de mãos e abraços sejam mais demorados,

Que a ternura adoce,

Que a gratidão se espalhe,

Que a compaixão se partilhe,

Que as reconciliações surjam,

Que os gestos de solidariedade aumentem,

Que a paz se instale,

Que as lágrimas sequem,

Que as respostas se encontrem,

Que a Esperança transborde,

Que a Harmonia invada os Lares,

Que o Amor seja o porto seguro,

Que as dores diminuam,

Que as magoas se dissipem,

Que a magia ilumine,

Que a Amizade nos engrandeça,

Que a bondade nos inspire,

Que a nobreza nos transforme,

Que os sonhos nos sorriam,

Que o perdão seja verdadeiro.

Feliz Natal e Bom Ano 2018
 
Paula Reis

não sei se era poesia ao que soava

Poesia ou prosa?

 Nem tão pouco se era o que queria escrever,
Sei que a poesia me parecia fazer crescer o Eu,
Que tentava evitar por ocupar muito espaço,
A prosa parecia-me mais larga e com mais a dizer,

Por outro lado, o som poético soltava-se lentamente,
Quase que se arrastava e aninhava confortável em mim,
E era mais próprio do novo Eu que procurava,
O Eu do Amor!!!


O Eu do amor

Em cada gesto seu procura Amar
Não num sentido sexual ou carnal
Que isso é fácil
A qualquer esquina com Hera se faz

Mas  Amar por inteiro
É mais complicado, difícil 
É preciso sair de si e entrar em dó ou ré
Olhar fundo e entender

O privilégio que não direito que temos
Inspirar de novo
Expirar outra vez
E atravessarmos a pele do outro

vou ver se escrevo!

Desagrada-me o meu blogue ser só copy paste das coisas que gosto... 


poesia política


A UE está um caos, é como um muro a ruir, cheio de brechas e remendos.
Há quem diga que se há muita coisa má, há muito mais boa.
A estrutura foi bem montada; agora ventos, chuvas e sóis vão, 
felizmente, continuar a existir.
Contra Trumps e independências a escaqueirar.
Da Flandres, das nacionalidades Basca e Catalã, da Baviera, do Norte de Itália e da República de São Marino são tudo peças a resolver
Existem Geringonças e Centenos a aguentar o projecto


poesia sonhada


Era um espaço sereno e tranquilo,
Um tempo que nunca tinha sido sentido, 
Nunca tinha sequer existido,
Era a primeira vez que se criara naquela cidade, 
Carente de coisas novas e boas,
Aquele nicho onde se edificava o amor!


Era e foi lá naquela terra,
O tempo cronológico ou meteorológico,
Nunca tinha sido vivido,
Não sei se futuro água chuvoso ou futuro solarengo,
Sei  que não era passado, nem pesado,
Era Esperança!


Foi e será proclamou-se atempadamente,
O espaço largo e aberto,
Mas para Sempre ia deslizar,
Todos os sonhos são, serão Sempre leves,
Era um conjunto de cores que pediam imaginação,
Ali cantava-se bonito!


Cantava-se ensinando,
Olhares brilhantes amigos e fraternos,
E Sempre ia brilhar luminoso e quente,
Comidas que deixavam conversas,
E à roda de danças e teatro,
Conhecia-se o céu.


Esse espaço voador, 
Onde o tempo era enternecedor,
Procurava recolher e acolher,
Pensava no equilíbrio e transparência,
Na beleza e n'alma,
Força escrita,
Amor, esperança, canções e céu...


Perspectivas

Há quem seja forte e alto,
franzino e pequeno,
Há quem seja doce, amargo e azedo,
Há muitas coisas por pensar
Ou criar ao improviso,
Sem pensar muito,
Só escrever.

E abusar das letras redondas
Como OS CCCS e ESSES
E OOOS e PPPS
QQQS e RRRS
Há muitas letras redondas,
E quadradas, triangulares
E o que quisermos imaginar.

Gente GORDA e magrinhaaa mas
Esperta e imaginativa como tu,
Bons alunos e marrões,
Há quem copie muito,
Leia e veja jornais,
Adivinhe realidades

Talvez tu estejas errado por não te custar viver,

Ao teu lado vive-se mal,
Talvez tu estejas errado por não te custar viver,
E não sofreres em conjunto,
Acho estranho isso vindo de ti,
Que egoísta.

Queria ver como era
se não tivesses o teu suporte familiar,
DESCULPA LÁ tê-lo e ser mimado,
DESCULPA LÁ se não sou descriminado,
Pareces jornalista, que vergonha!
Que egoísta!

Queria ver se não pudesses ver ou ouvir,
Só não poder andar é muito fácil,
Queria ver se não pudesses falar,
Ah, isso já não consegues...
Que egoísta! Só pensas em ti!!!

Que egoísta!!!
Temos que saber fazer parte,
De um grupo descriminado,
E sofrer por cada um,
E sofrer por todos

07 dezembro 2017

uma prenda da Beatriz



E se ninguém me der forças, e se ninguém confiar
Se eu for invisível e se ninguém me enxergar
E se eu perder a fé, e se eu não ficar de pé, se eu voltar a cair
Se a lágrima escorrer se por medo de sofrer eu pensar em desistir
E se quando eu cair ninguém me estender a mão
E se quando eu me perder sem rumo sem direcção, se eu não achar caminho
Se eu estiver sozinho no labirinto da vida se tudo for escuro
se eu não ver um futuro na estrada a ser seguida
e se essa tal futuro for pior que o presente
e se for melhor parar do que caminhar para frente
se o amor for dor se todo sonhador não passa de um pobre louco
se eu desanimar se eu parar de sonhar queda a queda pouco a pouco
se quem eu mais confio me ferir, me magoar
e se a ferida for grande e se não cicatrizar?
se na hora da batalha minha coragem for falha
se faltar sabedoria, se a derrota chegar
e ninguém me abraçar na hora da agonia
se for tarde demais, se o tempo passar
se o relógio da vida do nada se adiantar
e se eu avistar o fim chegando perto de mim
impiedoso e veloz
sem poder retroceder fazendo perceber
que o se foi meu algoz
E se eu pudesse voltar ,
se o Se fosse diferente
Se eu dissesse para mim mesmo
Se renove, Siga em frente, Se arrisca
Se prepare se cair jamais pare, se levante,
Se refaça, se entenda, se conheça
E se chorar agradeça cada vez que achou graça se desfaça da preguiça ,do medo, da covardia
Se encante pela chance de viver um novo dia
Se ame e seja amor
Se apaixone por favor.
Se queira e queira bem. se pegue, se desapegue se agite, desassossegue
E se acalme também, se olhe, se valoriza, se permita errar,
Se dê de presente a chance de pelo menos tentar.
Se o Se for bem usado o impossível sonhado pode se realizar.

06 dezembro 2017

ainda Centeno!!!

O fim de dois mundos

Se a partir do estrangeiro a eleição de Centeno marca o fim de um mundo, a partir de Portugal ela marca o fim de, não um, mas dois mundos.

É fácil aferir o impacto da eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo através da imprensa internacional, dentro e fora da União Europeia. Para o New York Times, a eleição de Centeno marca já um olhar para lá da crise que afligiu a moeda da UE (como escrevi aqui segunda, “a longa depressão do euro está a acabar”); para o Le Temps, de Genebra, “Centeno deverá reformar o euro”; para o francês Libération, trata-se da eleição de “um homem de esquerda”; finalmente, para o El País, a eleição de Centeno “põe um ponto final simbólico na austeridade”.

Se olharmos cá para dentro, porém, rapidamente encontraremos quem ache que todos estes observadores não percebem nada disto ou que devem ter começado ontem a prestar atenção à moeda única europeia. Na política como no comentário nacional não falta quem seja taxativo. À direita alega-se que o cargo é importante, mas que Centeno não poderá ter na Europa a competência que persistem em negar-lhe em Portugal. À esquerda o argumento é inverso: se Mário Centeno pudesse mesmo contribuir para reformar o euro não lhe tinham dado o cargo — até porque, como está proclamado, o euro é irreformável por decisão dogmático-ideológica. A sanha com que BE e PCP se atiraram à escolha de Centeno é pelo menos tão agressiva quanto o escárnio com que a direita recebia essa possibilidade ainda há pouco tempo.

Estes comentários merecem, em si, comentário. A doutrina dominante tem sido a de que eles se explicam por razões táticas. De olhos postos no futuro, PSD e CDS desvalorizam a vitória de Centeno e BE e PCP tomam as suas distâncias para poderem ganhar margem em relação ao governo. Não estou convencido. Ao contrário da doutrina dominante, não acho que possamos explicar estas reações a partir do futuro mas antes a partir do passado. Elas não prenunciam aquilo que os atores políticos possam vir a dizer. Pelo contrário, elas denunciam aquilo que os atores políticos (e os comentadores, e os académicos, e os economistas, sejam eles pró-austeridade ou anti-euro) deixam de poder dizer daqui para a frente.

Se a partir do estrangeiro a eleição de Centeno marca o fim de um mundo, a partir de Portugal ela marca o fim de, não um, mas dois mundos.

O mundo da direita acaba porque a partir de agora é impossível dizer que as políticas económicas do governo são irresponsáveis e, por isso, nos levam diretamente contra a lógica do Eurogrupo. Se assim fosse, como se explica que o Eurogrupo tenha decidido consagrar a cara dessas políticas?

À esquerda, não têm conta as vezes que me foi dito — repetitivamente e amiúde aos berros — que eu era um otário se pensava que um governo minimamente de esquerda em Portugal não iria ser recebido de outra forma na Europa que não fosse pelo fechamento das torneiras do BCE que nos levaria a sair do euro. Um orçamento que “nós” aprovássemos, assim rezava a lenga-lenga, era um orçamento que a Europa chumbaria. Ora, já lá vão três orçamentos que nós aprovamos — e a malandra da Europa nomeia o autor desses orçamentos para presidir ao Eurogrupo.

Alguma coisa está mal, tanto para uns argumentos como para os outros. Dois mais dois não podem dar ao mesmo tempo três e cinco. Agora é questão de tempos até que os defensores de tais argumentos se apercebam de que carburam no vazio, mas ainda não excluo que me repitam impacientemente o quanto estou errado ao dizer que uma governação à esquerda é compatível com a UE (tal como estive errado quando disse que a Grécia não iria sair do euro, que Portugal não iria ser punido com sanções, etc.).

Em suma, estas reações políticas (e, não o esqueçamos, do comentariado e da academia) explicam-se mais pela frustração do que pela tática. Elas revelam a irritação com a realidade que refutou aquilo que certas reputações e pequenos poderes repetiram tão convictamente durante tantos anos. A incompatibilidade entre esquerda e Europa era dogma em ambos os lados, mas agora já não se pode dizer à direita que a política anti-austeritária é irresponsável, nem à esquerda que ela é anti-União Europeia.

É o fim de dois mundos diferentes, aparentemente opostos, mas operando segundo princípios fundamentalmente equivalentes.

Rui Tavares


O mundo anti europa da esquerda (BE moderno e PCP experiente) caí porque o ministro das finanças do governo da Geringonça foi eleito para o Eurogrupo as desconfianças caem; o mundo da direita deixa a austeridade como única via possível vazio.

O Mário Centeno tecnocrata e burocrata não será o que teremos.

The Smartphone "Circus of I"



Gostei tanto deste vídeo apresentado por José Eduardo Martins no por outro lado ontem como odiei a posição de oposição, retrógada de direita, dele face à eleição de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo (O Eurogrupo é a reunião mensal e informal dos Ministros das Finanças dos Estados-Membros da Zona Euro, países cuja moeda oficial é o Euro, com vista a coordenar a sua política económica, presentemente, o Grupo tem 19 membros); não faz sentido se uma pessoa é aceite politicamente na Europa, por ter feito um bom trabalho cá, dizer que lá fora a perspectiva é mais difícil e é diferente porque quem manda a sério são só dois: Alemanha e França! 

Mas, o importante é o vídeo, é giro e olha para a frente!

O filme Lucky acho que fazia bem ver a todos ir ver...



Pena não estar mais acessível em Portugal não só em Lisboa!!!

Lucky é uma alcunha de tipo seco e rijo que fuma muito e tem rotinas, é um filme anti queixume, o actor principal morreu o ano passado com 91 anos e faz de Lucky.

1h28 que não dás por passar e sais com vontade de abraçar o mundo. 

LUCKY ilustra a jornada espiritual de um ateu com 90 anos e as personagens peculiares que habitam na sua cidade desértica, no meio de nenhures. Tendo sobrevivido aos seus contemporâneos, o tempestuoso e independente Lucky encontra-se no precipício da vida, enveredando numa jornada de auto-exploração, em direcção ao que costuma ser inatingível: a iluminação.


03 dezembro 2017

gostar de futebol


Pode-se apelar de infantilidade retardada, de disparate ou não saber o que fazer na vida... não será por certo um gosto único de todos os que gostam: todos são tantos!

- benfiquistas, lagartos e tripeiros;

- de todos os clubes no mundo;

- homens e mulheres (é um desporto machista, cada vez menos mas ainda é);

- de todas as idades;

- de todos os sítios;

- de todas as idades, raças, cores e credos;

- heterossexuais e homossexuais;

- toda a gente pode gostar ou não de bola: é como todos os gostos, democrático!

Há gente que nunca jogou e adora (não será muito banal...) ver um jogo; há quem tenha um grande desgosto porque tenha perdido uma grande carreira como jogador de futebol, há pais de futebolistas que aprenderam a ver e gostar de ver jogos, há namoradas que não perdem os treinos, há de tudo.

Gostar de futebol é individual, vês sozinho (para dentro e introspectivo) e social (é uma boa forma de fazer amizades, cantar entusiasta, pular), discutes com amigos os lances; se não gostas de futebol és mais facilmente excluído, podes por não seres viciado na bola seres um sucesso entre as miúdas, se gostas e passas a vida na taberna e não tens amigas és rejeitado.

Há quem tenha teorias tácticas tão evoluídas que se intrometem no estudo. É possível ser inteligente e gostar de futebol; quem tenha no futebol uma forma de socializar.

O futebol é um jogo que tem imensas variantes:

- raramente ou nunca é só um jogo,

- é uma arte humana de quem lá está a jogá-lo em cada posição, mais ofensiva, de transposição e defensivas;

- há diferentes formas de encarar cada jogo e jogada;

- em cada campo (o tal 12º jogador é forte em alguns lugares),

- em cada táctica,

- em cada treinador,

- na celebrada mística... o clamor do estádio!!!

O Futebol pode ser encarado como uma substituição da guerra/luta antiga... por vezes, róis-te todo a ver jogos!

01 dezembro 2017

marcou gerações o Homem do leme que partiu :(



Xutos & Pontapés - Homem do Leme


Sozinho na noite
Um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
Ofusca as demais

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme


E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder


No fundo do mar
Jazem os outros, os que lá ficaram
Em dias cinzentos
Descanso eterno lá encontraram

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme


E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder


No fundo horizonte
Sopra o murmúrio para onde vai
No fundo do tempo
Foge o futuro, é tarde demais


E uma vontade de rir nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

28 novembro 2017

Manifesto (Para o Eduardo Jorge)

O Eduardo Jorge foi alguém que entrou na minha vida sem saber bem como nem porquê, entrou e resolvemos ficar na vida um do outro; após um começo por móvel e e-mail, encontro olhos nos olhos gostámos um do outro e mostrou-me este texto que fala sobre este blogue: http://tetraplegicos.blogspot.pt/.
Sabe bem ser Amigo dele!

Existem pessoas que fazem a diferença pelos seus actos, ideias e vontade inabalável. São estes os que acordam os adormecidos. Foi isto que aconteceu quando conheci o blog tetraplégicos e o seu criador o Eduardo.
Tal como ele, sofro o fardo de ser tetraplégico. Para quem não sabe, “tetraplégico” é alguém que fratura a medula espinal na zona do pescoço e por isso perde os movimentos das pernas e parte (ou totalmente) dos braços. Não se perde apenas a capacidade de andar, perde-se sim a capacidade de cuidar de si. É preciso que alguém nos levante da cama e volte a deitar, que nos lave, que nos dê de comer, que nos vista, etc., etc. De um momento para o outo perde-se um dos bens mais preciosos que um ser humano pode ter: a independência e a liberdade. Fisicamente somos como bebés adultos e creio que todo sabem os cuidados que um bebé requere. Assim vive um tetraplégico, ou qualquer outra pessoa que tenha uma deficiência igualmente limitadora.
Agora digo-vos algo que não perdemos: a nossa mente! Ao contrário do que dizem os estereótipos, desenvolvemos a capacidade de observação; aprendemos como funciona o mundo; começamos a ter ideias. A nossa mente floresce em contraste com a incapacidade física. Não se trata de arrogância, é um facto. Foi isto que encontrei no Eduardo. Um espelho do meu fado que usa a mente para se afirmar como cidadão, uma peça integrada na sociedade.
Creio que todos que possuem uma deficiência visível já sofreram na pele o estigma, os olhares, as perguntas indiscretas, a discriminação, a redução da sua humanidade quando afirmam com ignorância que o trabalho é um “entretenimento”. Por isso, muitas vezes acomodamo-nos ao nosso mundinho, com as nossas coisinhas, aceitar como esmola o que afinal são direitos, sem procurar retribuir à vida todo o potencial que temos para dar.
Era nesta situação que me encontrava, resignado, sem exigir muito da existência, a esconder as minhas capacidades intelectuais como se estas fossem um atentado à lógica. Mais cedo ou mais tarde sabia que o meu futuro seria a institucionalização, embora não pensasse nisso. Existia uma aceitação dolorosa no meu íntimo.
Conhecer o blog “tetraplégicos” foi um despertar. Uma chamada de atenção para o facto de também eu ser humano como os outros, independentemente das minhas limitações. Tenho muito a oferecer à sociedade. Não quero ficar parado. Quero e posso contribuir para um mundo melhor.
Desde a divulgação de direitos que abrangem todo o tipo de deficiências, ao dar voz às mães e pais que não têm ajudas e são forçado a deixar de trabalhar para cuidar dos seus filhos, à luta por uma vida independente, às acções de rua que foram constantemente ignoradas pelos governantes, à ajuda providenciada gratuitamente a quem o procurava, ao aconchegante saber que não estou sozinho, tudo isto segui com atenção. Apesar de estar longe, sem grande forma de me deslocar às acções levadas a cabo pelo Eduardo, sempre fui um espectador atento ao seu trabalho e de certa forma, um interveniente, pois tudo que possa ser alcançado pelas suas chamadas de atenção e acções de protesto iam me beneficiar. Isto tudo apesar da minha ausência,
Lutar desta forma contra a corrente, colocando até a própria saúde em risco, é extenuante. Ser tetraplégico, é já por si, ser solitário. Mesmo estando rodeados por quem nos cuida e nos quer bem, parece existir sempre uma distancia que nos separa dos outros. Sente-se a falta de companhia, principalmente quando se anda na rua e somos alvo dos olhares indiscretos e da curiosidade imprópria. Não sei ao certo como explicar isso. É algo que se sente e se mistura com um certo cansaço que por vezes toma conta do corpo contra a nossa vontade. Creio que haverá muita gente que percebe este sentimento e se revê nestas palavras. Ao mesmo tempo acredito que possam existir alguns defensores do positivismo e de que a vontade tudo supera, que argumentem de forma contrária. Que seja! A esses apenas tenho a dizer que os invejo e pedir que respeitem a minha realidade.
Sei que o Eduardo já ajudou muita gente. Da mesma forma já sentiu o desaire de não poder contar com quem o devia apoiar. Sim, porque ele emprestou o seu nome a diferentes tipos de luta sem nunca se contentar com o seu próprio conforto. Não sei quanta gente auxiliou na sua demanda. Foram muitos. E por isso estou grato.
Ainda assim o Eduardo não desistiu. Continuou a luta. Sem medo até da morte. Infelizmente ninguém é invencível e chegou o dia em que foi forçado a ser institucionalizado. Um lar de idosos. Por mais atencioso que os funcionários possam ser, por mais condições que existam, o Eduardo foi arrancado de casa para uma espécie de prisão colorida, porque os governantes preferem esta solução desfasada da realidade à implementação da vida independente. Foi um duro golpe, que senti como dado a mim. Ainda por cima torna-se mais revoltante ao saber que a maior parte do salário lhe é retirado para pagar a própria prisão. Além de enclausurado, é-lhe retirada a capacidade financeira remetendo-o à pobreza. Aonde está a justiça disso?
Surgiu agora uma esperança sobre projectos piloto de vida independente. Será mesmo? Três anos para testar uma ideia que insiste em ser contrária e complicada ao que já funciona noutros países. E depois deste tempo? Vai continuar? Vai mudar? E todos os que são condenados à institucionalização? As politicas sobre deficiência em Portugal parecem sempre ser adiadas para amanhã e quando surgem são como gotas de água.
No meio disto tudo questiono-me como posso ajudar, revindicar, explicar, dizer que existo, pois não me posso deslocar para onde se fazem as acções de rua. O Eduardo precisa de saber e sentir que não está sozinho! Como disse o presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, inserido no contexto da tragédia dos fogos: “esta gente não tem a capacidade de se manifestar ou fazer greves”. Essa frase resume na perfeição quem tem uma deficiência limitadora a ponto de necessitar de um auxiliar. Não conseguimos dizer que existimos, nem revindicar direitos, nem sequer paralisar sectores importantes do país.
Senti uma necessidade imensa de ajudar. Para isso recorri à única forma que me é acessível e domino de alguma forma. Escrevi este texto. Não sei quem vai ler, ou se vão mesmo ler, nem tão pouco se vai fazer alguma diferença. Sei que vai apenas cumprir um propósito, dizer ao Eduardo que não está sozinho, são muitos os que o olham, que se identificam com a sua luta, que sofrem na pele os mesmos dilemas. Mesmo que as suas vozes não se façam ouvir, seja por medo, coação, ou simplesmente porque não conseguem.
Não sei se faço sentido, visto que tenho em mim vontade de dizer tanta coisa que as ideias acabam por se emaranhar num disparo de frases amontoadas. Resumo a dois tópicos chave:
- Chamar a atenção para a injustiça da institucionalização.
- Dizer ao Eduardo que não está sozinho!
Este texto, ou melhor, desabafo, tem o nome de “Manifesto pro Eduardo”, embora na realidade o nome possa ser “Manifesto pro vida”, ou “Manifesto pro liberdade”.
É com exemplos que se mostram as injustiças. Hoje manifesto-me sobre a injustiça que recai sobre o Eduardo que, no fundo, é o rosto de tantos outros calados, escondidos e resignados, como eu…
Agradeço do fundo do coração tudo que este homem tem feito!
Bem-haja grande Eduardo!

23 novembro 2017

porque é gente boa que quer ajudar!


Estão abertas as candidaturas aos projetos-piloto de apoio à vida independente. As associações que pretendam submeter as suas candidaturas para a criação de um CAVI - Centro de Apoio á Vida Independente, podem fazê-lo até meados do mês de Dezembro.

No distrito de Santarém a Associação Incluir com endereço na Avenida 25 de Abril, Nº 50A, R/C, 2005-159 Santarém, email  aadpcmcsm@gmail.com e telefone nº 243306196 está a candidatar-se á criação de um CAVI, do qual também farei parte com muito prazer. Se deseja beneficiar de um ou uma assistente pessoal, reúne as condições para beneficiar de assistência pessoal e reside neste distrito, contate a Incluir e candidate-se.

No distrito de Leiria contate Conceição Lourenço através e-mail: pinceladaspordavid@gmail.com 

Caso resida noutra área do país procure saber qual a associação que se está a candidatar á criação de um CAVI no seu distrito, e inscreva-se. Na região de Lisboa pode optar pelo Centro de Vida Independente. Casa dos Direitos Sociais, Rua Ferreira de Castro s/n, 1950-135 Marvila, e-mail: vidaindependente.lx@gmail.com tlm: 913 373 240

Se ainda tem dúvidas sobre Vida Independente, tire-as aqui: 


18 novembro 2017

É uma questão de lavrares o campo melhor...

Já todos ouvimos falar em campos melhores e piores... a vida não é um direito, é um privilégio, usufrui-o!

Há campos muito inférteis, dados à desertificação, onde quando nasce qualquer coisa que seja sentimo-nos inundados de uma boa energia...

Há pessoas pouco dadas à Agricultura e aos Jardins...

Há ainda outros onde qualquer coisa que cai no terreno torna-se uma semente de plantas que nascem vivas e esbeltas.

Há quem não dê por estar a ser semeado e regado, maltratado, inundado por urtigas.

Há muita coisa e jardineiros diferentes... melhores e piores!

11 anos de uma ressurreição

O dia hoje é para brindar e celebrar a vida: Parabéns!

Uma segunda vida de evoluções.

Para a maior parte de vocês este dia não significa nada.

18.06.2006 mudou-me a vida em todos os sentidos: encontrei um homem a querer superar-se.

Que podia ter morrido ou virado um Totó, que podia mas decidiu agarrar-se à vida!!!


VIVA A VIDA!!!


ps:  há quem diga que isto é um truque que encontrei para ter um segundo nascimento...

escrever sobre quê, porquê, para quem!?

Não tenho jeito para não ter nada que fazer... aborreço-me, chateio-me!!!

Não sei se haverá alguém com jeito para pasmar, não é fácil não fazer nada, já sei que todos me lêem pensam 'que jeito me dava não ter nada que fazer, nem ter que trabalhar para ganhar dinheiro para  viver...'.

Pois, a certa altura, pensamos que 'todos têm trabalho, faz parte da vida ter algo para fazer...'

Muita gente pasma em frente à TV, eu não, sou lá desses, pasmo em frente ao ecrã a escrever palavras para mim tipo diário.

Palavras bonitas, que jogam bem umas com o ritmo das outras, dançam a acompanhar pernas uma nas outras e contracenam com sentidos (sons, cores, imagens, cheiros, gostos, sensações, calores e frescuras) e servem para descansares nelas e encaixam umas nas outras lançando energias leves e simples.

O que sei é que penso demasiado fora do tempo e do espaço; recordo outros que passaram por minha vida e desapareceram dela, nos outros aborrecidos por terem que fazer algo que não querem... futuralizo, crio expectativas sobre a vida... Novembro de 2017...

A minha vida sempre teve muita acção e pensamento, não tenho muito jeito para ser/estar sozinho... parado, anestesiado.

Escrever sobre quê, porquê, para quem!?

Porque escrevo bem e gosto que gostem de me ler, escrevo para vocês, sobre nada, escrever sobre nada não é nada simples, aparece sempre uma ideia sobre o que escrever, e coisas importantes ou não e que fazem viver melhor!

Escrevo porque vos quero proporcionar um dia melhor, tenho este  defeito de gostar muito de Pessoas, de Gente, não de todas mas da maior parte; deixemos quem não é gente de lado... e a ambição disto interessar a alguém.